18/06/2026
A entrada dos riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais previsto pela Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) ampliou a obrigação de as empresas acompanharem fatores ligados à saúde mental de seus trabalhadores. A regra passa a exigir a identificação, a avaliação e o controle de situações como estresse ocupacional, assédio e sobrecarga de trabalho dentro do ambiente corporativo.
Com a alteração, setores como recursos humanos, saúde e segurança do trabalho e gestão corporativa ganham peso na detecção desses riscos e na adoção de medidas preventivas. A adequação também obriga as organizações a manter registros e evidências das ações implementadas dentro do gerenciamento de riscos ocupacionais.
Diante desse cenário, empresas que fornecem soluções de gestão de pessoas avaliam que ferramentas de análise de dados e indicadores organizacionais podem apoiar o monitoramento de fatores ligados ao ambiente de trabalho, somando-se às estratégias de prevenção exigidas pela legislação.
Com as mudanças na NR-1, os riscos psicossociais passam a fazer parte da etapa de identificação de perigos e avaliação de riscos prevista no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Na prática, as empresas precisam examinar fatores da organização do trabalho capazes de afetar a saúde mental dos empregados e, quando houver riscos relevantes, aplicar medidas de prevenção e controle adequadas a cada tipo de atividade.
A exigência amplia o alcance das ações de saúde e segurança do trabalho, historicamente voltadas a riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes.
Nesse contexto, torna-se indispensável documentar avaliações, medidas preventivas adotadas e procedimentos de acompanhamento dos riscos identificados no ambiente de trabalho.
A inclusão dos riscos psicossociais no gerenciamento ocupacional gera efeitos que ultrapassam as rotinas tradicionais de saúde e segurança do trabalho.
O registro das medidas preventivas e das avaliações realizadas pode se tornar relevante em situações que envolvam questionamentos sobre as condições de trabalho, a organização das atividades e eventuais impactos na saúde dos empregados.
Além das obrigações regulatórias, a gestão dos riscos psicossociais se conecta a temas comuns na administração de pessoal, como afastamentos, absenteísmo e retenção de profissionais.
A mudança ainda aproxima áreas como recursos humanos, saúde ocupacional, lideranças e gestão corporativa na elaboração de estratégias de prevenção desses riscos.
O avanço dos modelos híbridos e remotos transformou a dinâmica das relações de trabalho e criou novos desafios para a gestão da saúde ocupacional.
Apesar de terem trazido mais flexibilidade a diversas atividades, esses formatos também levantaram debates sobre a delimitação das jornadas, o excesso de reuniões virtuais, o aumento das interações digitais e a dificuldade de desconexão do trabalho.
Com isso, práticas de gestão, organização do trabalho e acompanhamento das condições laborais passaram a ocupar espaço cada vez maior nas discussões sobre prevenção de riscos psicossociais.
O assunto ganhou força à medida que fatores ligados ao esgotamento profissional entraram nas conversas sobre saúde mental, produtividade e sustentabilidade das relações de trabalho.
Segundo o CEO da EPI-USE Brasil, Roberto Medeiros, o excesso de controles e demandas digitais pode acabar prejudicando uma das competências mais valorizadas hoje: a criatividade.
"Quando tudo é urgente, monitorado e automatizado, sobra pouco espaço para reflexão, troca genuína e inovação. A criatividade precisa de pausas, de interação humana e até de momentos de desconexão. O desafio das empresas agora é humanizar a jornada digital", afirma o especialista.
A necessidade de identificar e acompanhar fatores que possam afetar a saúde mental dos trabalhadores também ampliou o debate sobre o uso de recursos tecnológicos no ambiente corporativo.
Indicadores de gestão, pesquisas internas e ferramentas de gestão de pessoas estão entre os instrumentos que podem ajudar a acompanhar o clima organizacional, a experiência dos colaboradores e as condições de trabalho.
A gestão dos riscos psicossociais requer ação integrada de áreas como recursos humanos, saúde e segurança do trabalho, departamento pessoal, lideranças e governança corporativa.
Mais do que iniciativas isoladas de bem-estar, a adequação à NR-1 exige que esses fatores sejam incorporados aos processos formais de identificação, avaliação e controle de riscos ocupacionais previstos em lei.
Entre as medidas que podem fazer parte desse processo estão a avaliação contínua do ambiente de trabalho, a revisão de práticas organizacionais, a adoção de ações preventivas e a manutenção de registros que comprovem o tratamento dos riscos identificados.
Com a inclusão dos riscos psicossociais no gerenciamento ocupacional da NR-1, as questões de saúde mental passam a integrar de forma mais direta as estratégias de saúde e segurança do trabalho adotadas pelas empresas — o que torna recomendável que o empresário revise desde já seus processos internos para evitar autuações e reduzir afastamentos.
Fonte: Com informações de Contábeis
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